Ultimamente, está difícil decifrar certas sensações que tenho. Por isso, estou aqui nesse restaurante, esperando que algo de bom aconteça. Porém, já estou acostumado a ter expectativas e me decepcionar. Isso tudo não me fez ficar com o coração de pedra, e sim, cada vez mais fraco. Meus batimentos mudam com o tempo, e fico nessa pulsação atordoada.
– Não esperava lhe encontrar aqui, Charlie. – Virei-me para trás para ver quem havia falado, e vi uma velha amiga com um sorriso tímido.
– Leven? - falei olhando-a com felicidade. – Eu que não esperava lhe encontrar aqui. Faz tempo que não nos vemos e...
– As coisas mudaram muito, não é? – disse andando até ficar de frente para mim. – Posso sentar com você?
– Claro! Será uma honra.
Leven era uma amiga excelente, nos conhecemos no colegial e até então viramos melhores amigos muito rápido. Claro, havia outros amigos na época. Mas, as coisas mudam, e promessas são levadas com o vento.
– Soube o que aconteceu com você. Sinto muito. – Leven estava com a cabeça baixa. Talvez não conseguia olhar nos meus olhos.
– Acho que todos souberam.
– Sabe Charlie, as coisas não precisam ser assim...
– Mas estão sendo. Eu não escolhi isso pra mim, a vida está fazendo – Leven me interrompeu dizendo:
– Você que escolheu.
Olhei para ela e vi que ainda não olhava pra mim. Ela sempre sabia o que falar, e sempre me fazia ficar refletindo sobre eu mesmo.
– Pode até ser. Mas, se soubesse antes que isso tudo iria acontecer...
– O que faria?
– Não desistiria tão fácil de tudo. – Disse-lhe após alguns minutos de silêncio.
– Não sou a pessoa mais certa do mundo para lhe dar um conselho, mas, Charlie... A vida continua. Mas não da forma que você está continuando. – Ela finalmente olhara nos meus olhos.
– Do que está falando?
– Não encontrará ninguém nos corpos vagos que andam por aí. Não encontrará o amor perfeito em olhos que nem existem brilhos. Você está em uma zona de conforto! Não acha que está na hora de deixar todas essas coisas fúteis de lado? – Leven ficou olhando para a rua pela janela do restaurante.
– Talvez. – Não consegui dizer mais nada.
Ficamos sem falar uma única palavra por algum tempo, nem nos olhávamos. Leven ficava o tempo todo olhando para a rua, e eu, para a minha xícara de café que já estava frio.
– Tem tantas garotas que gostariam de ter alguém como você. Mas, se continuar no seu padrão de procura, jamais olhará para elas. – Leven finalmente quebrou o silêncio que ficou entre nós.
– Não sou um príncipe, Leven. – Falei sem olhar para ela ao me levantar e andar na direção da saída.
– Charlie... – ela não olhou para mim – Não existem apenas princesas no mundo.
Aquelas palavras se chocaram em mim como uma punhalada, não consegui falar mais nada, apenas fui embora para tentar fazer tudo aquilo sair de mim. Não era culpa de Leven por eu ser uma pessoa ruim. Eu priorizava algo que para mim tinha valor? Quais eram esses valores? Nem eu sabia o por que disso tudo.
Vi um parque há alguns quilômetros adiante. Decidi entrar nele para conversar comigo mesmo, avistei um lago e sentei-me à frente. A água estava calma, e se mexia apenas por causa do vento que estava naquele fim de tarde.
– É tão errado assim? – Falei para o lago. E claro, sem resposta.
- Você é tão previsível, Charlie.
- Sabia que cedo ou tarde me encontraria aqui. Afinal, esse era o lugar que sempre marcávamos para conversar. – Eu disse olhando para Leven que estava em pé encostada a uma árvore.
Leven e eu costumávamos conversar naquele lugar sobre tudo que acontecia em nossas vidas. Não foi planejado ter um local selecionado para fazermos isso, o acaso o fez. Porém, deixamos de frequentá-lo por causa de nossas rotinas atuais, mas jamais esquecemos o valor que ele tinha.
- Será que ela alguma vez pensa em mim? Perguntei. Vi Leven se moveu para o meu lado e sentou.
- E isso importa?
- Pra mim... Talvez...
- Desse jeito fica meio difícil seguir em frente, não acha? – Ela sorriu ao pegar uma folha do chão.
- É difícil seguir em frente com os pés ainda presos no passado, Leven. – Eu falei.
As águas do lago em nossa frente continuavam calmas, sem se preocupar com nada, cada gota acompanhava a outra no trajeto que ninguém sabia onde ia dar. Será que é isso o que a vida significa? Andar em conjunto mesmo sem saber qual destino estará reservado para você? Isso não entra em contradição com o que sempre dizem por aí: “Cada um tem um próprio destino a ser trilhado.”?
- Eu sei que nas palavras tudo parece fácil demais, mas você tem que tentar esquecer tudo o que passou. Por que não voltará mais, e você sabe disso. – Leven disse ao deitar na terra.
- Acho que só conseguirei quando tiver um alguém ao meu lado.
-Deixe-se ser encontrado, Charlie. – Ela olhou pra mim.
- Ser encontrado? – Questionei. – Isso é muito relativo.
- Como assim? – Ela se levantou, tirou a franja que caíra na testa e fixava seus olhos em mim.
- Ser encontrado significa que alguém estará me procurando – disse, procurando pedrinhas na terra. – E quem disse que eu não devo procurar alguém que quer ser encontrado? – Joguei a pedra que encontrei no lago.
- Você tem razão. Um pouco confuso isso... – Leven também jogara uma pedra no lago. – Aliás... Muito confuso. – riu.
Ficamos um tempo sem falar, como sempre fazemos. E por fim, eu quebrei o silêncio.
- Eu sei que é errado querer alguém para preencher o vazio que outro deixou. – Eu disse com algumas lágrimas querendo sair dos meus olhos.
- Isso é impossível. – Leven foi direta. – Nunca preencherá um vazio deixado por alguém apenas tendo outro alguém. – Ela olhou para as águas, depois se levantou e eu a segui.
Andamos pelo caminho trilhado do parque conversando sobre diferentes assuntos, mas sempre voltávamos no mesmo. Sempre.
- Você a procurou? – Leven perguntou.
- Hã?
- Você tinha procurado ela quando você...
- Ah! – Interrompi. – Não. – Recordei-me de como tudo foi e de como tudo passou tão depressa. – Eu a procurei quando já tinha encontrado.
Nós dois ficamos mais um tempo andando até chegarmos à outra saída do parque, que era uma rua deserta. O tempo ficara nublado enquanto estávamos andando na trilha. Não havia pessoas na rua, não se ouvia nenhum tipo de som, nem carro, nem passo, nem respiração.
- Onde estamos? – Perguntei à Leven.
- Charlie... Bem-vindo ao passado!
– Não esperava lhe encontrar aqui, Charlie. – Virei-me para trás para ver quem havia falado, e vi uma velha amiga com um sorriso tímido.
– Leven? - falei olhando-a com felicidade. – Eu que não esperava lhe encontrar aqui. Faz tempo que não nos vemos e...
– As coisas mudaram muito, não é? – disse andando até ficar de frente para mim. – Posso sentar com você?
– Claro! Será uma honra.
Leven era uma amiga excelente, nos conhecemos no colegial e até então viramos melhores amigos muito rápido. Claro, havia outros amigos na época. Mas, as coisas mudam, e promessas são levadas com o vento.
– Soube o que aconteceu com você. Sinto muito. – Leven estava com a cabeça baixa. Talvez não conseguia olhar nos meus olhos.
– Acho que todos souberam.
– Sabe Charlie, as coisas não precisam ser assim...
– Mas estão sendo. Eu não escolhi isso pra mim, a vida está fazendo – Leven me interrompeu dizendo:
– Você que escolheu.
Olhei para ela e vi que ainda não olhava pra mim. Ela sempre sabia o que falar, e sempre me fazia ficar refletindo sobre eu mesmo.
– Pode até ser. Mas, se soubesse antes que isso tudo iria acontecer...
– O que faria?
– Não desistiria tão fácil de tudo. – Disse-lhe após alguns minutos de silêncio.
– Não sou a pessoa mais certa do mundo para lhe dar um conselho, mas, Charlie... A vida continua. Mas não da forma que você está continuando. – Ela finalmente olhara nos meus olhos.
– Do que está falando?
– Não encontrará ninguém nos corpos vagos que andam por aí. Não encontrará o amor perfeito em olhos que nem existem brilhos. Você está em uma zona de conforto! Não acha que está na hora de deixar todas essas coisas fúteis de lado? – Leven ficou olhando para a rua pela janela do restaurante.
– Talvez. – Não consegui dizer mais nada.
Ficamos sem falar uma única palavra por algum tempo, nem nos olhávamos. Leven ficava o tempo todo olhando para a rua, e eu, para a minha xícara de café que já estava frio.
– Tem tantas garotas que gostariam de ter alguém como você. Mas, se continuar no seu padrão de procura, jamais olhará para elas. – Leven finalmente quebrou o silêncio que ficou entre nós.
– Não sou um príncipe, Leven. – Falei sem olhar para ela ao me levantar e andar na direção da saída.
– Charlie... – ela não olhou para mim – Não existem apenas princesas no mundo.
Aquelas palavras se chocaram em mim como uma punhalada, não consegui falar mais nada, apenas fui embora para tentar fazer tudo aquilo sair de mim. Não era culpa de Leven por eu ser uma pessoa ruim. Eu priorizava algo que para mim tinha valor? Quais eram esses valores? Nem eu sabia o por que disso tudo.
Vi um parque há alguns quilômetros adiante. Decidi entrar nele para conversar comigo mesmo, avistei um lago e sentei-me à frente. A água estava calma, e se mexia apenas por causa do vento que estava naquele fim de tarde.
– É tão errado assim? – Falei para o lago. E claro, sem resposta.
* * *
- Você é tão previsível, Charlie.
- Sabia que cedo ou tarde me encontraria aqui. Afinal, esse era o lugar que sempre marcávamos para conversar. – Eu disse olhando para Leven que estava em pé encostada a uma árvore.
Leven e eu costumávamos conversar naquele lugar sobre tudo que acontecia em nossas vidas. Não foi planejado ter um local selecionado para fazermos isso, o acaso o fez. Porém, deixamos de frequentá-lo por causa de nossas rotinas atuais, mas jamais esquecemos o valor que ele tinha.
- Será que ela alguma vez pensa em mim? Perguntei. Vi Leven se moveu para o meu lado e sentou.
- E isso importa?
- Pra mim... Talvez...
- Desse jeito fica meio difícil seguir em frente, não acha? – Ela sorriu ao pegar uma folha do chão.
- É difícil seguir em frente com os pés ainda presos no passado, Leven. – Eu falei.
As águas do lago em nossa frente continuavam calmas, sem se preocupar com nada, cada gota acompanhava a outra no trajeto que ninguém sabia onde ia dar. Será que é isso o que a vida significa? Andar em conjunto mesmo sem saber qual destino estará reservado para você? Isso não entra em contradição com o que sempre dizem por aí: “Cada um tem um próprio destino a ser trilhado.”?
- Eu sei que nas palavras tudo parece fácil demais, mas você tem que tentar esquecer tudo o que passou. Por que não voltará mais, e você sabe disso. – Leven disse ao deitar na terra.
- Acho que só conseguirei quando tiver um alguém ao meu lado.
-Deixe-se ser encontrado, Charlie. – Ela olhou pra mim.
- Ser encontrado? – Questionei. – Isso é muito relativo.
- Como assim? – Ela se levantou, tirou a franja que caíra na testa e fixava seus olhos em mim.
- Ser encontrado significa que alguém estará me procurando – disse, procurando pedrinhas na terra. – E quem disse que eu não devo procurar alguém que quer ser encontrado? – Joguei a pedra que encontrei no lago.
- Você tem razão. Um pouco confuso isso... – Leven também jogara uma pedra no lago. – Aliás... Muito confuso. – riu.
Ficamos um tempo sem falar, como sempre fazemos. E por fim, eu quebrei o silêncio.
- Eu sei que é errado querer alguém para preencher o vazio que outro deixou. – Eu disse com algumas lágrimas querendo sair dos meus olhos.
- Isso é impossível. – Leven foi direta. – Nunca preencherá um vazio deixado por alguém apenas tendo outro alguém. – Ela olhou para as águas, depois se levantou e eu a segui.
Andamos pelo caminho trilhado do parque conversando sobre diferentes assuntos, mas sempre voltávamos no mesmo. Sempre.
- Você a procurou? – Leven perguntou.
- Hã?
- Você tinha procurado ela quando você...
- Ah! – Interrompi. – Não. – Recordei-me de como tudo foi e de como tudo passou tão depressa. – Eu a procurei quando já tinha encontrado.
Nós dois ficamos mais um tempo andando até chegarmos à outra saída do parque, que era uma rua deserta. O tempo ficara nublado enquanto estávamos andando na trilha. Não havia pessoas na rua, não se ouvia nenhum tipo de som, nem carro, nem passo, nem respiração.
- Onde estamos? – Perguntei à Leven.
- Charlie... Bem-vindo ao passado!
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